domingo, 25 de junho de 2017

sábado, 10 de dezembro de 2016

Feliz Natal


Frei Luís de Sousa

O primeiro marido de D. Madalena de Vilhena tinha partido para a guerra de Alcácer Quibir e tinha desaparecido há já sete anos, quando ela decide casar de novo, com D. Manuel de  Sousa Coutinho. Deste casamento  nasce uma filha, D. Maria, que se transforma numa jovem pura, curiosa e impetuosa. Com o casal e a filha vive Telmo, um fiel amigo e empregado de D. João de Portugal, primeiro marido de D. Madalena, que após o seudesaparecimento ficara a servir a sua suposta viúva e a sua família. Apesar de viver feliz e amar verdadeiramente D. Manuel Coutinho, D. Madalena, uma mulher muito supersticiosa, sente-se constantemente atormentada com a possibilidade do regresso do seu primeiro marido cujo corpo nunca fora encontrado. Envolvido numa briga com alguns governantes D. Manuel incendeia a própria casa  e vão viver para a casa que pertencera a D. João de Portugal. A existência de um retrato seu ao lado de um outro do rei D. Sebastião, que o povo acredita que regressará um dia, deixa D. Madalena ainda mais atormentada. Muitos anos após o seu desaparecimento aparece um romeiro que diz ter informações sobre D. João mas, na verdade, é o próprio D. João que esteve cativo, durante vinte anos, na Terra Santa. Considerando que cometeram um pecado gravíssimo ao terem casado sem a certeza da morte de D. João, D. Madalena e D. Manuel decidem recolher ao convento como Frei Luís de Sousa e Sorôr Madalena. Ao tomar conhecimento de toda a verdade, D. Maria tenta demover os pais dessa decisão, mas a sua saúde, debilitada pela tuberculose de que sofre não resiste e morre. 

1. Acção dramática
Frei Luís de Sousa contém o drama que se abate sobre a família de Manuel de Sousa Coutinho e D. Madalena de Vilhena. As apreensões e pressentimentos de Madalena de que a paz e a felicidade familiar possam estar em perigo tornam-se gradualmente numa realidade. O incêndio no final do Acto I permite uma mutação dos acontecimentos e precipita a tensão dramática. E no palácio que fora de D. João de Portugal, a acção atinge o seu clímax, quer pelas recordações de imagens e de vivências, quer pela possibilidade que dá ao Romeiro de reconhecer a sua antiga casa e de se identificar a Frei Jorge.
O Acto I inicia-se com Madalena a repetir os versos d'Os Lusíadas:
  • "Naquele engano d'alma ledo e cego,
    que a fortuna não deixa durar muito…"
As reflexões que se seguem transmitem, de forma explícita um presságio da desgraça que irá acontecer. Obedecendo à lógica do teatro clássico desenvolve a intriga de forma a que tudo culmine num desfecho dramático, cheio de intensidade: morte física de Maria e a morte para o mundo de Manuel e Madalena.

2. Do drama clássico ao drama romântico
Se se pretender fazer uma aproximação entre esta obra e a tragédia clássica, poder-se-á dizer que é possível encontrar quase todos os elementos da tragédia, embora nem sempre obedeça à sua estruturação objectiva.
A hybris é o desafio, o crime do excesso e do ultraje. D. Madalena não comete um crime propriamente na acção, mas sabemos que ele existiu pela confissão a Frei Jorge de que ainda em vida de D. João de Portugal amou Manuel de Sousa, apesar de guardar fidelidade ao marido. O crime estava no seu coração, na sua mente, embora não fosse explícito como entre os clássicos.
Manuel de Sousa Coutinho também comete a sua hybris ao incendiar o palácio para não receber os governadores. A hybris manifesta-se em muitas outras atitudes das personagens.
O conflito que nasce da hybris desenvolve-se através da peripécia (súbita alteração dos acontecimentos que modifica a acção e conduz ao desfecho), do reconhecimento (agnórise) imprevisto que provoca a catástrofe. O desencadear da acção dá-nos conta do sofrimento (páthos) que se intensifica (climax) e conduz ao desenlace. O sofrimento age sobre os espectadores, através dos sentimentos de terror e de piedade, para purificar as paixões (catarse). A reflexão catártica é também dada pelas palavras do Prior, quando na última fala afirma: "Meus irmãos, Deus aflige neste mundo àqueles que ama. A coroa da glória não se dá senão no céu".
Tal como na tragédia clássica, também o fatalismo é uma presença constante. O destino acompanha todos os momentos da vida das personagens, apresentando-se como um força que as arrasta de forma cega para a desgraça. É ele que não deixa que a felicidade daquela família possa durar muito.
Garrett, recorrendo a muitos elementos da tragédia clássica, constrói um drama romântico, definido pela valorização dos sentimentos humanos das personagens; pela tentativa de racionalmente negar a crença no destino, mas psicologicamente deixar-se afectar por pressentimentos e acreditar no sebastianismo; pelo uso da prosa em substituição do verso e pela utilização de uma linguagem mais próxima da realidade vivida pelas personagens; sem preocupações excessivas com algumas regras, como a presença do coro ou a obediência perfeita à lei das três unidades (acção, tempo e espaço).

3. Tempo
A acção dramática de Frei Luis de Sousa acontece em 1599, durante o domínio filipino, 21 anos após a batalha de Alcácer-Quibir. Esta aconteceu a 4 de Agosto de 1578.
"A que se apega esta vossa credulidade de sete… e hoje mais catorze… vinte e un anos?", pergunta D. Madalena a Telmo (Acto I, cena 11).
"Vivemos seguros, em paz e felizes… há catorze anos" (1, cena 11).
"Faz hoje anos que… que casei a primeira vez, faz anos que se perdeu el-rei D. Sebastião, e faz anos também que… vi pela primeira vez a Manuel de Sousa", afirma D. Madalena (Il. cena X).
"Morei lá vinte anos cumpridos" (…) "faz hoje um ano… quando me libertaram", diz o Romeiro (Il. cena XIV).
A acção reporta-se ao final do século XVI, embora a descrição do cenário do Acto I se refira à "elegância" portuguesa dos princípios do século XVII.
O texto é, porém, escrito no século XIX, acontecendo a primeira representação em 1843.

4. Personagens
D. Madalena de Vilhena é a primeira personagem que aparece na obra, mas pode-se afirmar que toda a familia tem um relevo significativo. São as relações entre esposos, pais e filha, o criado e os seus amos ou mesmo o apoio de Frei Jorge que estão em causa. Um drama abate-se sobre esta família e enquanto Manuel de Sousa Coutinho e D. Madalena se refugiam na vida religiosa, Maria morre como vítima inocente.
D. Madalena tinha 17 anos quando D. João de Portugal desapareceu na batalha de Alcácer-Quibir. Durante 7 anos procurou-o. Há catorze anos que vive com Manuel de Sousa Coutinho. Tem agora 38 anos (17 + 21). Mulher bela, de carácter nobre, vive uma felicidade efémera, pressentindo a desventura e a tragédia do seu amor. Racionalmente, não acredita no mito sebastianista que Ihe pode trazer D. João de Portugal, mas teme a possibilidade da sua vinda. E com medo que a encontramos a reflectir sobre os versos de Camões e a sentir, como que em pesadelo, a ideia de que a sobrevivência de D. João destrua a felicidade da sua família. No imaginário de D. Madalena, a apreensão torna-se pressentimento, dor e angústia. É neste terror que se vê na necessidade de voltar para a habitação onde com ele viveu.
Manuel de Sousa Coutinho (mais tarde Frei Luis de Sousa) é um nobre e honrado fidalgo, que queima o seu próprio palácio, para não receber os governadores. Embora apresente a razão a dominar os sentimentos, por vezes, estes sobrepõem-se quando se preocupa com a doença da filha. É um bom pai e um bom marido.
Maria de Noronha tem 13 anos, é uma menina bela, mas frágil, com tuberculose, e acredita com fervor que D. Sebastião regressará. Tem uma grande curiosidade e espírito idealista. Ao pressentir a hipótese de ser filha ilegítima sofre moralmente. Será ela a vítima sacrificada no drama.
Telmo Pais, o velho criado, confidente privilegiado, define-se pela lealdade e fidelidade. Não quer magoar nem pretende a desgraça da família de D. Madalena e Manuel. Mas como verdade recorrente no mito sebastianista, acredita que D. João de Portugal há-de regressar. No fim, acaba por trair um pouco a lealdade de escudeiro pelo amor que o une à filha daquele casal, D. Maria de Noronha. Representa um pouco o papel de coro da tragédia grega, com os seus diálogos, os seus agoiros ou os seus apartes.
O Romeiro apresenta-se como um peregrino, mas é o próprio D. João de Portugal. Os vinte anos de cativeiro transformaram-no e já nem a mulher o reconhece. D. João, de espectro invisível na imaginação das personagens, vai lentamente adquirindo contornos até se tornar na figura do Romeiro que se identifica como "Ninguém". O seu fantasma paira sobre a felicidade daquele lar como uma ameaça trágica. E o sonho torna-se realidade.
Frei Jorge Coutinho, irmão de Manuel de Sousa, amigo da família e confidente nas horas de angústia, ouve a confissão angustiada de D. Madalena. Vai ter um papel importante na identificação do Romeiro, que na sua presença indicará o quadro de D. João de Portugal.

5. Cenário
O Acto I passa-se numa "câmara antiga, ornada com todo o luxo e caprichosa elegancia dos principios do século XVII", no palácio de Manuel de Sousa Coutinho, em Almada. Neste espaço elegante parece brilhar uma felicidade, que será, apenas, aparente.
O Acto II acontece "no palácio que fora de D João de Portugal, em Almada, salão antigo, de gosto melancólico e pesado, com grandes retratos de familia…". As evocações do passado e a melancolia prenunciam a desgraça fatal.
O Acto lll passa-se na capela, que se situa na "parte baixa do palácio de D. João de Portugal". "É um casarão vasto sem ornato algum". O espaço denuncia o fim das preocupações materiais. Os bens do mundo são abandonados.

6. A Atmosfera
Há ao longo da intriga dramática uma atmosfera psicológica do sebastianismo com a crença no regresso do monarca desaparecido e a crença no regresso da liberdade. Telmo Pais é quem melhor alimenta estas crenças, mas Maria mostra-se a sua melhor seguidora.
Percebe-se também uma atmosfera de superstição, nomeadamente desenvolvida em redor de D Madalena.

7. Simbologia
Vários elementos estão carregados de simbologia, muitas vezes a pressagiar o desenrolar da acção e a desgraça das personagens. Apenas como referência, podemos encontrar algumas situações e dados simbólicos:
  • A leitura dos versos de Camões referem-se ao trágico fim dos amores de D. Inês de Castro que, como D. Madalena, também vivia uma felicidade aparente quando a desgraça se abateu.
  • O tempo dos principais momentos da acção sugerem o dia aziago: sexta-feira, fim da tarde e noite (Acto I), sexta-feira, tarde (Acto II), sexta-feira, alta noite (Acto lll); e à sexta-feira D. Madalena casou-se pela primeira vez; à sexta-feira viu Manuel pela primeira vez; à sexta-feira dá-se o regresso de D. João de Portugal; à sexta-feira morreu D. Sebastião, vinte e um anos antes.
  • A numerologia (1) parece ter sido escolhida intencionalmente. Madalena casou 7 anos depois de D. João haver desaparecido na batalha de Alcácer-Quibir; há 14 anos que vive com Manuel de Sousa Coutinho; a desgraça, com o aparecimento do Romeiro, sucede 21 anos depois da batalha (21=3x7). 0 número 7 é um número primo que se liga ao ciclo lunar (cada fase da Lua dura cerca de sete dias) e ao ciclo vital (as células humanas renovam-se de sete em sete anos), representa o descanso no fim da criação e pode-se encontrar em muitas representações da vida, do universo, do homem ou da religião; o número 7 indica o fim de um ciclo periódico. O número 3 é o número da criação e representa o círculo perfeito. Exprime o percurso da vida: nascimento, crescimento e morte. O número 21 corresponde a 3x7, ou seja, ao nascimento de uma nova realidade (7 anos foi o ciclo da busca de notícias sobre D. João de Portugal e o descanso após tanta procura); 14 anos foi o tempo de vida com Manuel de Sousa (2x7, o crescimento de uma dupla felicidade: como esposa de Manuel e como mãe de Maria; 14 é gerado por 1+4=5, apresentando-se como símbolo da relação sexual, do acto de amor); 21 anos completa a tríade de 7 apresentando-se como a morte, como o encerrar do círculo dos 3 ciclos periódicos O número 7 aparece, por vezes, a significar destino, fatalidade (imagem do completar obrigatório do ciclo da vida), enquanto o 3 indica perfeição; o 21 significa, então, a fatalidade perfeita.
  • Maria vive apenas 13 anos. Na crença popular o 13 indica azar. Embora como número ímpar deva apresentar uma conotação positiva, em numerologia é gerado pelo 1+3=4, um número par, de influências negativas, que representa limites naturais. Maria vê limitados os seus momentos de vida.
8.    Estrutura dramática

                       Estrutura Interna
Estrutura Externa
                       Exposição
Acto I - cenas I, II, III e IV
                       Conflito
Acto I - cenas V-XII
Acto II
Acto III - cenas I-IX
                       Desenlace
Acto III - cenas X-XII

Viagens na Minha Terra

Almeida Garrett nasceu na cidade do Porto, Portugal, em 1799, com o nome de baptismo de João Leitão da Silva. Durante sua época de estudante de Direito, em Coimbra, passou a adotar o nome que o tornaria célebre: Almeida Garrett. Participou da revolução liberal e ficou exilado na Inglaterra em 1823. Durante esse tempo, casou-se e teve contacto com o movimento romântico inglês. Em 1824 mudou-se para França e escreveu Camões e Dona Branca, obras que inauguraram o romantismo português. Ávido defensor do liberalismo, Almeida enfrenta outros diversos exílios ao longo dos anos.
Após retornar definitivamente a Portugal, passa a incentivar a literatura e o teatro, escrevendo inúmeros livros e peças teatrais. É dele, por exemplo, a iniciativa de criar o Conservatório de Arte Dramática e o Teatro Normal (actualmente Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa). Faleceu em Lisboa no dia 9 de dezembro de 1854.
Suas principais obras são: "Camões" (1825), "Dona Branca" (1826), "Romanceiro" (1843), "Cancioneiro Geral" (1843), "Frei Luis de Sousa" (1844), "D’o Arco de Santana" (1845) e "Viagens na minha terra" (1846).

Viagens na Minha Terra

A obra é composta por dois eixos narrativos bem distintos. No primeiro, o narrador conta suas impressões de viagens, intercalando citações literárias, filosóficas e históricas das mais diversas, com um tom fortemente subjectivo e repleto de digressões e intertextualidades. Dentre as referências literárias, podemos levantar citações a Willian Shakespeare, Luís de Camões, Miguel de Cervantes, Johann Goethe e Homero. Já dentre as citações históricas e filosóficas, temos Napoleão Bonaparte, D. Fernando, Bacon e outros.
Já o segundo eixo, que é interposto no meio dos relatos de viagem, conta o drama amoroso que envolve cinco personagens. Essa narrativa amorosa tem como pano de fundo as lutas entre liberais e miguelistas (1830 a 1834).O livro começa com o narrador contando sobre a sua vontade de partir em uma viagem de Lisboa à Santarém. Chegando a seu destino, o narrador começa a tecer comentários através da observação de uma janela. Nesse ponto, dá-se início à história de amor entre Joaninha e Carlos.No romance, Joaninha é uma moça que mora apenas com sua avó, D. Francisca. Semanalmente, elas recebem a visita de Frei Dinis, que traz notícias do filho de D. Francisca, Carlos. Ele está ausente da cidade já há alguns anos e faz parte do grupo de D. Pedro. Frei Dinis e D. Francisca guardam algum segredo sobre Carlos.Frei Dinis foi um nobre cheio de posses, mas resolveu abandonar tudo e sumir e volta para Santarém dois anos depois, como frei. O narrador critica essa mudança, por para ele qualquer um poderia facilmente ser ordenado frei de uma hora para outra.Quando a guerra civil atinge Santarém, Carlos, que havia ido para a Inglaterra após desentender-se com Frei Dinis, resolve voltar à cidade. É quando ele reencontra sua prima Joaninha. Eles trocam um beijo apaixonado como se fossem namorados. Porém, Carlos tem uma esposa na Inglaterra, chamada Georgina, se vê atormentado pela dúvida de contar ou não a verdade para sua prima.Ferido durante a guerra, Carlos fica hospedado próximo à casa de Joaninha. Após se recuperar, ele pede para que D. Francisca revele o segredo que ela esconde. Então, ela acaba contando que Frei Dinis é o pai de Carlos e que sua verdadeira mãe já morreu.Ao saber da verdade, Carlos parte e volta a viver com a esposa. Porém, Georgina diz ter ouvido de Frei Dinis toda a história de amor entre Carlos e Joaninha e declara não mais amar o marido. Carlos pede perdão à esposa e diz não mais amar Joaninha, porém, Georgina não o aceita de volta.Na parte final sabemos através de Frei Dinis o destino das personagens: Carlos larga as paixões e começa sua carreira na política como barão, mas depois de um tempo desaparece. Joaninha, sem seu grande amor, e D. Francisca morrem. Georgina vai para Lisboa. “Santarém também morre; e morre Portugal”, termina por relatar Frei Dinis.Durante os relatos da viagem, o autor-narrador faz uma série de digressões filosóficas, reflexões sobre fatos históricos e crítica literária sobre diversos autores, tanto clássicos quanto modernos, e suas obras. 
Dentre estes comentários, podemos citar o mais famoso deles: “Eu não sou romanesco. Romântico, Deus me livre de o ser – ao menos, o que na algaravia de hoje se entende por essa palavra”. Garrett, embora pertencente ao movimento romancista de Portugal, deixa claro nessa passagem uma crítica ao Romantismo então vigente. Uma crítica dirigida a um romantismo “fabricado” por escritores menores que buscavam modelo numa literatura fácil para agradar ao público, com interpretações abusivas e uma vulgarização do que seria o verdadeiro movimento modernista.

Personagens
As personagens de "Viagens na Minha Terra" funcionam como uma visão simbólica de Portugal, buscando-se através disso as causas da decadência do Império Português. O final do drama, que culmina na morte de Joaninha e na fuga de Carlos para tornar-se barão, representa a própria crise de valores em que o apego à materialidade e ao imediatismo acaba por fechar um ciclo de mutações de carácter duvidoso e instável.Temos, então, as seguintes personagens e suas possíveis interpretações simbólicas dentro da obra:Carlos: é um homem instável que não consegue se decidir sobre suas relações amorosas, podendo ser ligado às características biográficas do próprio Almeida Garrett. Georgina: namorada inglesa de Carlos, é a estrangeira de visão ingénua, que escolhe a reclusão religiosa como justificativa para não participar dos dilemas e conflitos históricos que motivaram sua decepção amorosa. Joaninha: prima e amada de Carlos. Meiga e singela, é a típica heroína campestre do Romantismo. Simboliza uma visão ingênua de Portugal, que não se sustenta diante da realidade histórica.
D. Francisca: velha cega avó de Joaninha. Mostra-nos a imprudência e a falta de planejamento com que Portugal se colocava no governo dos liberalistas, levando a nação à decadência.
Frei Dinis: é a própria tradição calcada num passado histórico glorioso, que no entanto, não é mais capaz de justificar-se sem uma revisão de valores e de perspectivas.

Folhas Caídas


Colectânea de poesias líricas de Almeida Garrett, é a última e a mais importante obra do autor. Foi publicada apenas um ano antes da sua morte, em 1853, e sob anonimato, talvez pelo receio do escândalo, dadas as relações amorosas com a Viscondessa da Luz, de que em grande parte este livro é a expressão literária. A obra teve grande sucesso devido sobretudo à atmosfera erotizante de algumas das suas composições e também à invulgar expressão de conflito psicológico e amoroso vivido pelo autor. Esta obra revela grandes aspectos inovadores, desde as imagens até à organização estrófica, passando pelo tom coloquial, quase confessional, de muitas das poesias - fazendo dela a melhor obra de poesia romântica portuguesa. Saliente-se ainda a inclusão, na segunda parte, de poesias de inspiração popular, bem como algumas traduções.
Na "Advertência" à obra, Garrett apresenta o poeta como ser incompreendido, marginalizado, condenado à busca incessante do ideal: "Mas sei que as presentes Folhas Caídas representam o estado de alma do poeta nas variadas, incertas e vacilantes oscilações do espírito, que, tendendo ao seu fim único, a posse do Ideal, ora pensa tê-lo alcançado, ora estar a ponto de chegar a ele, ora ri amargamente porque reconhece o seu engano, ora se desespera de raiva impotente por sua credulidade vã." Assim se compreende a dedicatória ao "Ignoto deo", o Deus aos pés de quem o poeta deposita a sua "combatida/existência", misto de "luz" e "treva". Ao qualificar o seu livro como uma "confissão sincera", Garrett sugeriu a identificação do sujeito poético com o autor real, favorecendo ele próprio a leitura dos poemas amorosos das Folhas Caídas como episódios da sua ligação com Rosa Montufar, viscondessa da Luz. Os poemas exprimem os sentimentos amorosos contraditórios que caracterizam a paixão amorosa, nas suas diferentes etapas ("Gozo e dor", "Este inferno de amar", "Adeus"); exploram a ambivalência da figura feminina, ora anjo, ora demónio ("Anjo és", "Não és tu"); percorrem a euforia erótica ("Aquela noite", "Os cinco sentidos", "Flor de ventura"), o ciúme ("Perfume da rosa", "A coroa"), a saudade da felicidade que não voltará ("Cascais", "Estes sítios"). Do ponto de vista métrico, o volume assinala o abandono definitivo das formas e dos géneros clássicos em favor do uso da tradicional redondilha em estrofes regulares.

Falar Verdade a Mentir

Plano Nacional de Leitura
Livro recomendado no programa de português do 8º ano de escolaridade, destinado a leitura orientada na sala de aula.

Quem, tendo lido ou assistido à representação desta peça teatral, poderá esquecer esse mentiroso compulsivo que se chamava Duarte; ou cada uma das outras personagens, cuja maneira própria de falar nos dá o retrato fiel de um determinado modo de ser e de estar na vida e em sociedade? Só um grande escritor, como foi Almeida Garrett, teria condições de nos proporcionar momentos de divertimento como os que Falar Verdade a Mentir nos propõe: uma catadupa de situações caricatas de "teatro dentro do teatro", com base numa ideia simples (bebida no escritor francês Scribe) que é um achado em termos de comédia.
Colecção Oficina dos Sonhos - Livros para ler mais e melhor, livros para sonhar
Na colecção OFICINA DOS SONHOS, são livros o que construímos: livros para crianças e adolescentes. Obras que permitem aos mais jovens ler melhor, alimentar o seu imaginário e franquear as portas do sonho, sem deixarem de ter um pé assente na realidade. Livros que pais e educadores também quererão ler. Livros divertidos, livros com valores.
"Clássicos" da literatura infantil e juvenil; obras contemporâneas de grandes autores e ilustradores portugueses ou estrangeiros; álbuns para os mais pequenos - são estas as três linhas de trabalho da OFICINA, que sublinha outro dos seus propósitos: ajudar a crescer, contribuir para a formação dos que hão de tornar-se os leitores de amanhã. E isto num momento em que está em marcha o PLANO NACIONAL DE LEITURA (PNL), iniciativa governamental de relevo para a qual queremos contribuir com o nosso melhor. E, por isso, títulos desta coleção fazem já parte ou virão porventura a fazer das listas do PNL para leitura orientada ou para leitura autónoma, em diversas faixas etárias.
Ler é crescer. Ler é aprender a comunicar e a intervir. Mas também a encontrar alternativas ao aqui e agora, através da activação do imaginário. Estas são algumas das virtudes da leitura que o PNL vem enfatizar. Com os livros da colecção OFICINA DOS SONHOS pretendemos ir ao encontro destas e de outras questões suscitadas pelo desenvolvimento da literacia e das competências de leitura.

Os Lusíadas

Renascimento

»        Séculos XV e XVI
»        Época de mudança ao nível da Europa
»        Nasce na Itália do séc. XV, com a riqueza proveniente do comércio
»        Investimento em arte como mostra de riqueza
»        Os artistas e intelectuais criaram uma rede através de viagens e troca de correspondência
»        Humanismo; antropocentrismo (o Homem mentaliza-se das suas capacidades), contrariando o teocentrismo medieval
»        Valorização da razão e da experiência para certificação da verdade
»        Descobrimentos; repensar da relação do Homem com o mundo; valorização da Natureza
»        Abalo das crenças: aparecimento do Protestantismo e teoria heliocêntrica de Copérnico
»        Invenção da imprensa e maior facilidade de divulgação dos livros
»        Valorização da antiguidade clássica greco-romana. Representam equilíbrio, proporção e regularidade

»        Imitar os clássicos, imitar a Natureza

Luís de Camões

Luís de Camões

»        Nasce por volta de 1525
»        Sem documentação da educação (presumivelmente em Coimbra)

»        1549-1551: expedição ao Norte de África, onde perde o olho direito
»        Na sequência de uma briga é preso. Pede perdão ao Rei, é libertado e enviado para serviço militar na Índia
»        Preso na Índia por dívidas
»        Teve um naufrágio, salvando-se a nado com o manuscrito d’Os Lusíadas
»        Vasta obra lírica: canções, sonetos e redondilhas. Três comédias
»        Morre a 10 junho 1580. No terceiro centenário é-lhe erguida estátua em Lisboa


Os Lusíadas

Características da epopeia
»        Remonta à Antiguidade grega e latina
»        Tem como expoentes máximos a Ilíada e Odisseia (Homero) e Eneida (Virgílio)
»        Normas:
o   Grandeza e solenidade, expressão do heroísmo
o   Protagonista: alta estirpe social e grande valor moral
o   Início da narração in medias res
o   Unidade de ação, com recurso a episódios retrospetivos e proféticos (analepse e prolepse)
o   Os episódios dão extensão e riqueza à ação, sem lhe quebrar a unidade
o   Maravilhoso: Os deuses devem intervir na ação
o   Modo narrativo: o poeta narra em seu nome ou assumindo personalidades diversas
o   Intervenção do poeta: reduzidas reflexões em seu nome

o   Estilo solene e grandioso, com verso decassilábico

Os Lusíadas

Estrutura d’Os Lusíadas
»        Externa:
o   Verso decassilábico, maioritariamente heroico (acentuação nas 6.ª e 10.ª sílabas) ou sáfico (acentos nas 4.ª, 8.ª e 10.ª sílabas)
o   Estrofes de oito versos com esquema abababcc (oitava heroica)
o   10 Cantos.
»        Interna:
o   Proposição: o poeta anuncia o que vai cantar (I, 1-3)
o   Invocação: pedido às divindades inspiradoras (I, 4-5; III, 1-2; VII, 78-82; X, 8)
o   Dedicatória: oferecimento a personalidade importante (facultativa)
o   Narração: ações do protagonista
»        Planos:
o   Narração Histórica:
»       Viagem de Vasco da Gama (plano fulcral)
»       História de Portugal (plano encaixado)
o   Narração mitológica
»       Plano mitológico: Intervenção dos deuses (plano paralelo)
o   Intervenções do Poeta
»        Alternância Mar/Terra
o   Mar:   I, II (Índico)                       V, VI (Lisboa-Calecut)
o   Terra:                  III, IV (Melinde)                             VII, VIII (Calecut)
o   IX, X: Mar e Terra (viagem de regresso e ilha dos amores)
»        Tempo
o   Discurso: Viagem, de África à Índia e regresso
o   História: Desde Viriato até ao tempo de Camões

o   As ligações são feitas por analepses e prolepses/profecias

Os Lusíadas

Canto I
»        Proposição (1-3) – anúncio do assunto
»        Invocação (4-5) – às Ninfas do Tejo
o   Poder para descrever condignamente os feitos dos portugueses
»        Dedicatória (4-18) – a D. Sebastião
o   Segue a estrutura do sermão (exórdio, exposição, confirmação, peroração [recapitulação e epílogo])
o   Incita D. Sebastião a feitos dignos de figurar na obra
»        Início da Narração (Moçambique a Mombaça)
o   Ciladas preparadas em Moçambique: falso piloto para os conduzir a Quíloa. Vénus intervém e repõe o percurso normal
»        Consílio dos deuses (20-41)
o   Simultaneidade com a navegação
o   Decisão sobre chegada dos portugueses à Índia; oposição de Baco, Vénus e Marte a favor
o   Luz, sinónimo de riqueza e conhecimento
»        Reflexão sobre a insegurança da vida (após traição de Baco)
o   Depois de passar Moçambique, Quíloa e Mombaça
o   Paralelismo entre perigos do mar e da terra
o   Questão da fragilidade (pequenez) do Homem

Canto II
»        Viagem de Mombaça a Melinde (1-113)
»        A pedido de Baco, o Rei de Mombaça convida os portugueses para os destruir
»        Vénus impede a Armada de cair na cilada
»        Fuga dos emissários do Rei e do falso piloto
»        Vasco da Gama apercebe-se do perigo e dirige uma prece a Deus (apesar da mitologia pagã, o protagonista dirige-se sempre a Deus)
»        Vénus pede a Júpiter que proteja os portugueses, profetizando-lhes futuras glórias
»        Na sequência disto, Mercúrio (em sonho) indica a Vasco da Gama o caminho até Melinde
»        Festejos na receção em Melinde
»        Rei de Melinde pede a Vasco da Gama que lhe conte a História de Portugal (109-113)

Canto III
»        Invocação a Calíope (1-2)
»        História de Portugal – 1.ª Dinastia
»        Vasco da Gama como narrador e Rei de Melinde como Narratário
o   Dificuldade em louvar o próprio
»        Desde Luso a Viriato
»        Formação da Nacionalidade
»        As conquistas dos reis da 1.ª Dinastia
»        Batalha de Ourique (42-54) – episódio épico
o   Desproporção entre número de portugueses e Mouros (acentuando o valor do inimigo, mais se acentua o valor da vitória)
o   Intervenção de Cristo – lenda portuguesa
o   Contraste Touro (força moura) e cão (inteligência dos portugueses), apesar da diferença numérica
o   Descrição da bandeira
»        Morte de D. Afonso Henriques (83-84)
o   Personificação da Natureza e sua tristeza
»        Formosíssima Maria (102-106) – episódio lírico
»        Episódio de Inês de Castro (118-135) – episódio lírico
o   Caracterização de D. Inês e D. Pedro
o   Texto com didascálias e diálogo (teatro)
o   O Rei é desculpado por Camões, culpando o povo e ministros, a quem D. Afonso IV cedeu para sobrepor a vontade do povo à sua
o   Personificação da Natureza para lamentar a morte de Inês (subjetividade)



Canto IV
»        História de Portugal – 2.ª Dinastia
»        Revolução 1383-85 (1-15)
»        Discurso de D. Nuno Álvares Pereira (15-19)
»        Batalha de Aljubarrota (28-44)
o   Nobres portugueses contra os próprios irmãos, aliados de Castela
o   Ao valorizar D. Nuno (chefe), valoriza todo o povo, visto que na época se associava o valor do chefe ao valor dos seus súbditos (“um fraco rei faz fraca a forte gente”)
»        Sonho de D. Manuel (67-75)
o   Rios Ganges e Indo aparecem-lhe como velhos, que lhe indicam que os portugueses terão sucesso na Índia
o   Vasco da Gama é chamado para se lançar na viagem para a Índia
o   Plano da História (com ligação à viagem)
»        Despedida em Belém (84-93) – episódio lírico
o   Desmembramento das famílias
o   Vasco da Gama evita grandes despedidas, pois só traria maiores angústias
»        Velho do Restelo (94-104)
o   Representa o bom senso e prudência dos que defendiam a expansão para o Norte de África
o   Representa a ligação à terra-mãe
o   Camões mostra que a opção não é consensual e que, apesar de descrever os ideais épicos, existem outras ideologias
o   Motivações erradas (glória de mandar, cobiça, fama e prestígio)
o   Alerta para os perigos do mar, para a inquietação e adultério dos que ficam e para o despovoamento do território nacional
o   Excesso de ambição é prejudicial (Ícaro)
o   Lamentação da estranha condição humana

Canto V
»        Canto central d’Os Lusíadas (perigosas cousas do mar)
»        Viagem de Lisboa a Melinde
»        Fogo de Santelmo e tromba marítima (16-22)
o   Episódio Naturalista
o   Defesa da conquista do saber pela experiência (Humanismo) em detrimento do saber livresco
o   Elementos do quotidiano para facilitar a perceção do Rei de Melinde
o   Crítica aos que acreditam por terem lido sem nunca terem visto
o   Crítica ao saber livresco
»        Episódio de Fernão Veloso (30-36)
»        Episódio do Gigante Adamastor (37-60)
o   Terror do desconhecido; capacidade para ultrapassar obstáculos (naturais) – enaltecimento do herói
o   Profecias sobre naufrágios
o   O Adamastor, interpelado por Vasco da Gama, explica-lhe por que é um penedo, com uma história de amor e traição com uma deusa (Tétis)
o   Contraste da beleza feminina com a fealdade masculina
o   Transformação do gigante em pedra
»        Escorbuto (81-83)
»        Reflexão sobre a dignidade das Artes e das Letras (92-100)
o   Episódio Humanista
o   Os antigos gostavam que os seus feitos guerreiros fossem cantados
o   Os chefes eram também conhecedores da arte e das letras
o   Os chefes da antiguidade eram guerreiros (épicos) mas também cultos
o   Portugal não preza as artes (é ignorante)
o   Mantendo-se a situação, ninguém exaltará os feitos dos portugueses
o   Apesar de saber que os portugueses não valorizam as artes e as letras, Camões vai continuar a sua obra, mesmo que por ela não venha a ser reconhecido

Canto VI
»        Viagem de Melinde a Calecut
»        Consílio dos deuses marinhos (6-36) – Presidido por Neptuno, que com Baco apoiam que os portugueses sejam afundados
»        Episódio dos Doze de Inglaterra (43-69)
»        Tempestade (70-85)
o   Vasco da Gama dirige uma prece a Deus
o   Intervenção de Vénus
»        Chegada à Índia (92-94)
»        Reflexão do poeta sobre o valor da Fama e da Glória (95-99)
o   A nobreza não se herda
o   São necessários feitos dignos do título
o   Oposição da definição “tradicional” de Nobreza à agora apresentada por Camões
o   Apelo à coragem
o   A nobreza e heroicidade conquistam-se vencendo e ultrapassando obstáculos
o   Os heróis serão reconhecidos, independentemente de o quererem

Canto VII
»        Armada em Calecut
»        Elogio do poeta ao espírito de cruzada. Censura às nações que não seguem o exemplo português
o   Crítica ao Luteranismo e guerras dos alemães
o   Crítica à oposição dos ingleses ao Papa
o   Crítica à aliança da França aos Turcos (por pura ambição)
o   Crítica à corrupção italiana
o   Crítica à expansão sem motivo religiosos
o   Elogio aos portugueses, que apostam na expansão para propagar a fé Cristã, enquanto os outros querem apenas conquistar território
»        Desembarque de Vasco da Gama (42)
»        Visita do Catual à armada. Paulo da Gama explica o significado das bandeiras
»        Invocação às ninfas do Tejo e Mondego. Crítica aos opressores e exploradores do povo (78-87)
o   As etapas da vida de Camões (destacando-se a variedade). Balanço negativo da sua vida
o   Camões não se sente reconhecido pela sua obra
o   Tal como ele, também os escritores vindouros se sentirão desmotivados
o   Camões não louvará quem procura a fama para proveito próprio
o   Crítica aos que chegam junto do Rei com o propósito de explorar o povo
o   Camões sente-se cansado pela forma como é tratado pelos compatriotas

Canto VIII
»        Armada em Calecut
»        Paulo da Gama explica ao Catual o significado das bandeiras (1-43)
»        Ciladas de Baco, que intercede junto dos indianos contra os portugueses(43-96)
»        Reflexão sobre o vil poder do ouro
o   A sede de dinheiro provoca ações pouco nobres de ricos e de pobres
o   O ouro corrompe mas não deixa de ser um metal nobre

Canto IX
»        Em Calecut
»        Regresso a Portugal – Ilha dos Amores
»        Vénus recompensa os Portugueses mostrando-lhes a ilha dos amores
»        Exortação do poeta aos que desejarem alcançar a Fama (92-95)

Canto X
»        Tétis e as ninfas oferecem um banquete aos portugueses. Profecias sobre o futuro dos Lusitanos no Oriente (1-73)
»        Invocação a Calíope (8-9)
»        Tétis mostra a Máquina do Mundo a Vasco da Gama, indicando-lhe a dimensão do Império Português (77-142)
»        Chegada a Portugal (144)
»        Lamentação do poeta e exortação de D. Sebastião (145-156)
o   Caracterização do passado, presente e futuro
o   Elogio aos portugueses que partem expostos ao perigo (nobres). Alerta aos homens do presente, focados no ouro, cobiça e ambição
o   O Rei deverá favorecer aqueles que possuem os valores que Camões diz serem ideais

o   Simetria: novas proposição e dedicatória (visão aristotélica da epopeia)

A Maior Flor do Mundo - José Saramago